domingo, 14 de junho de 2020

O P I N I Ã O - AS INFINITAS GLÓRIAS DO AMÉRICA FOOTBALL CLUB





André de Paula

Já fui torcedor fanático, porém me conscientizei de que futebol é diversão, não pode ser “ópio do povo” nem estar acima da luta por uma sociedade igualitária.

O América sempre foi um time da resistência, surgido na Gamboa (bairro pobre e operário do Rio de Janeiro). Sua primeira camisa foi da cor preta em homenagem ao anarquismo, ideologia de grande parte do proletariado nascente. Posteriormente, a cor foi mudada para o vermelho do socialismo, dos mártires e do coração.  Seus jogadores eram de origem humilde e o clube teve que lutar muito contra os times ricos (Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense).

Fundado em 18 de setembro de 1904, teve o maestro Villa-Lobos entre seus fundadores e nunca ganhou nenhum campeonato roubado.

Quando não havia Mundial de Clubes (1959), realizou 25 jogos na Europa e América, num total de 17 partidas sem perder, com apenas uma derrota, tornando-se "Fita Azul" do futebol brasileiro, sob o comando de seu ex-goleiro Yustrich. O América foi o primeiro clube brasileiro a jogar no exterior, sendo base da Seleção Brasileira de 1956.

Em 1949, venceu a Seleção do Chile por duas vezes. Vencedor de torneios internacionais, como o de Nova York (1962), dois na Colômbia, o Torneio Negrão de Lima, no Brasil, e um Torneio Internacional na Espanha. Vingador do Futebol Brasileiro ao vencer o Uruguai em 1951, no Estádio Centenário, Campeão dos Campeões em 1982, título nacional, e vencedor da Taça dos Campeões Interestaduais Rio-São Paulo (1936), título interestadual. Primeiro Campeão da Guanabara (1960), conquistou a Zona Sul da Taça Brasil (1961), Campeão do Centenário em 1922, além de outros cinco títulos cariocas. Ganhou do Botafogo de 11 X 2 em 1929, em repetição de jogo anterior contestado pelos botafoguenses e os aspirantes do América já venceram os titulares do Vasco por 5 X 1.

O mais prejudicado pelas arbitragens e conchavos, excluído do Campeonato Nacional sem ter sido rebaixado, quando ficou em terceiro lugar num autêntico jogo de tapetão. Foi “garfado” em vários Campeonatos e Taças. Sempre foi prejudicado pelo voto plural quando a vontade da  maioria dos clubes cariocas não significava a maioria dos votos. Depois, na briga de Giulite Coutinho, presidente do América, com o  "Caixa d’Água", éramos roubados para não ofuscar o Americano , time do presidente Eduardo Viana , vulgo "Caixa d'Água". Atualmente, poucas vezes conseguimos jogar em nosso estádio, devido a exigências descabidas, tamanho é o nosso descrédito, enquanto fomos obrigados a jogar, por exemplo, no campo do Nova Cidade, em Nilópolis, que nem arquibancada tem, enquanto que o nosso estádio tem capacidade para treze mil pessoas sentadas. Agora, na Federação continua a roubalheira para que o América não ofusque Bangu e Madureira, times do presidente Rubinho e do vice-presidente Duba, respectivamente. Em 1916 não foi campeão invicto, pois um torcedor do Andaraí, ausente o juiz, foi escalado como árbitro, deixou de dar  pênaltis a favor do América e anulou gols, saindo o Andaraí vitorioso por 1 X 0.

É o clube mais simpático, em virtude de vários acontecimentos históricos: pôs fim à desavença entre Flamengo e Botafogo, unificou com o Vasco o Campeonato Carioca, ganhando a Taça Clássico da Paz, disputada com o clube cruzmaltino que ainda não nos devolveu a taça conquistada. Certa feita, Belford Duarte, capitão do América, foi ao juiz para dizer a este que o lance  que beneficiou o América  foi ilegal, fazendo com que o juiz voltasse atrás.

Até a década de 40, era a maior Torcida do Rio.  Em 1957 figurou à frente de todos os times em popularidade, em concurso promovido pelo Relógio de marca Longines.

O Flamengo ficou sete anos sem nos vencer e vencemos dois campeonatos em cima do Fluminense e um em cima do Botafogo.

É o clube com mais homônimos, no Brasil existindo 33 Américas, sendo que o Americano de Campos e o rubro-negro Clube Atlético Paranaense também nasceram do América (o Atlético é a união do Internacional preto com o América vermelho).

Tivemos 58 jogadores convocados para a Seleção Brasileira e Osvaldo Melo o maior jogador brasileiro de sua época, na década de 20, sendo que o artilheiro do campeonato Taça de Prata, de 1969, na verdade, o campeonato nacional daquela época, Edu, só não foi convocado para a seleção brasileira em virtude de ser irmão de Nando, também jogador, e primo de Cecília Coimbra, do grupo Tortura Nunca Mais, ambos presos e torturados pela ditadura militar. Edú, foi, inclusive apontado como melhor jogador do ano, ficando na artilharia a frente de Pelé.


É significativa a postura da torcida americana pelas liberdades democráticas, tendo durante a Ditadura Militar criado a "Brigada Rubra" que denunciava o arbítrio e, há um ano atrás, foi criada a torcida "Anarcomunamérica" que denuncia as danosa s reformas da previdência e trabalhista.

Ademais, possui o hino e camisa reconhecidamente mais bonitos!


André de Paula é membro da Anistia Internacional e advogado da Frente Internacionalista dos Sem-Tetos –FIST

Tel: (21) 99606-7119

quinta-feira, 30 de abril de 2020

NOTA DE REPÚDIO DA FIST CONTRA A EXPULSÃO DOS DIPLOMATAS VENEZUELANOS

Em mais uma torpe violação do direito internacional celebrado na Convenção de Viena, o governo fantoche e assassino de Bolsonaro acata ordens dos Estados Unidos e expulsa todos os diplomatas da soberana República Bolivariana da Venezuela sob a alegação de uma suposta negociação que nunca houve.

Na verdade, Estados Unidos e seu capacho, o Brasil, não toleram que, enquanto seus países atingem níveis estratosféricos de mortes pelo coronavírus, colocando a nu suas políticas que não privilegiam o ser humano, a Venezuela apresenta somente 10 (dez) casos fatais, o que revela atenção à saúde preventiva, com testes para o povo e atenção à sua imunidade.

O combate ao coronavírus desmonta todas as mentiras inventadas contra a Venezuela que tem preocupação com a saúde do povo, apesar do criminoso embargo econômico imposto pelos estadunidenses e apoiado pelo governo de “Bolsovírus”.

Depois de retirar, unilateralmente e criminosamente, os diplomatas brasileiros da Venezuela, país este que controla a pandemia, trazendo-os para o Brasil, onde há o maior número de contágio do mundo, Bolsonaro dá mais um sinal de que apoiará uma invasão criminosa dos Estados Unidos ao altivo país de Bolívar.

A FIST apoia a resolução da Venezuela de não acatar a violação do direito internacional, mantendo seu corpo diplomático no Brasil, assim como é contra qualquer interferência naquele soberano país.


FRENTE INTERNACIONALISTA DOS SEM-TETO (FIST)


quarta-feira, 22 de abril de 2020

NOTA - DESEMBARGADOR SUSPEITADO PELA FIST É AFASTADO PELO STJ

Dos três desembargadores afastados pelo STJ (Siro Darlan, Guaracy e Mário Guimarães Neto), fez-se justiça no último caso, uma vez que o afastamento dos dois primeiros reveste-se racismo já que são dois dos poucos desembargadores negros.

Mário Guimarães Neto, desembargador da décima segunda câmara cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, é escroto mesmo. Ganhei ação contra Eike Batista em duas ocupações no Outeiro da Glória porque, apesar da falsidade documental, a atual desembargadora Isabela Peçanha Chagas, na época juíza da décima quarta vara cível, e ele confirmaram a reintegração de posse da ocupação Luíza Mahin e Escrava Anastácia.

Suspeitei os dois e fui suspeitando até o Tribunal Pleno e Órgão Especial. Foram anos de lide até que o mafioso Eike Batista, já combalido em sua imagem e finanças desistiu, sendo reconhecida a manutenção de posse para as duas ocupações.

Reparem os nomes das ocupações. São duas heroínas negras, intransigentes lutadoras contra o racismo que deram suas vidas contra essa opressão.

Falta, agora, o juiz Mauro Nicolau Júnior, da 48a vara cível, amigo da especulação imobiliária e inimigo de classe dos posseiros mansos, pacíficos, antigos e de boa-fé da ocupação Chê Guevara, além de violador contumaz do ordenamento jurídico pátrio. O referido juiz é useiro e vezeiro em maltratar servidores humildes do TJRJ.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O REVOLUCIONÁRIO INTERNACIONALISTA ANTÔNIO LOURO


Por André de Paula

ANTÔNIO LOURO


Engenheiro naval por profissão, na ditadura militar brasileira foi despedido de vários estaleiros em virtude de sua ficha de revolucionário.

Advogado, na prática, sem nunca ter passado por Faculdade de Direito, revolucionou a advocacia brasileira; primeiro, por ter me ensinado e estimulado a exercê-la em benefício dos pobres; depois, por ter criado no instituto da suspeição a “inimizade de classe” que os juízes geralmente têm. Ensinou-me a defender o instituto da posse contra a propriedade abandonada logo que esta fosse tomada pelos posseiros. Residia em apartamento fruto da vitória que tivemos na Justiça da ação de manutenção de posse onde reside sua viúva, Marlene. Por todas essas lutas, entre a Praça da República e a Praça Tiradentes, na Rua Visconde do Rio Branco, existe a Ocupação Antônio Louro, singela homenagem a este gigante fundador da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (Fist), ex-membro da direção da Central dos Movimentos Populares(CMP) e ex-membro da direção do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM).

Foi membro do Comitê Central do Partido Comunista Português (PCP), tendo rompido com o mesmo em virtude de suas posições stalinistas. Quando operário da fábrica de armamentos em Portugal, danificava as bombas enviadas por Salazar a Franco, durante a Guerra Civil Espanhola, fazendo com que saíssem delas propaganda republicana anti-franquista. Foi preso político em Portugal, tendo cumprido solitária no Forte Caxias.

No Brasil, foi igualmente preso, sendo torturado na prisão da Rua da Relação, em virtude de sua luta antirracista contra o imperialismo português na defesa da libertação das colônias portuguesas e, em virtude disso, conquistou sua anistia. Quando de sua prisão aqui no Brasil, veio de Portugal um agente da PIDE(Polícia de Salazar), especialmente para contribuir com suas torturas, tendo ficado provado com isso que a Operação Condor não era uma trama apenas de países sul-americanos. Defendia a tese de que Cabo Anselmo, com quem conviveu na prisão, sempre foi um agente da CIA, uma vez que até o título a ele conferido não condizia com a realidade porque Anselmo nunca foi cabo e sim marinheiro.

Participou efetivamente na campanha “O PETRÓLEO TEM DE SER NOSSO”, tendo ocupado, inclusive, a ANP – Agência Nacional do Petróleo contra os leilões ocorridos nos governos de Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer. Participou, intensamente, da luta pela libertação dos presos políticos no Brasil, tendo feito greve de fome em solidariedade aos revolucionários que sequestraram Abílio Diniz e participou, também, na luta pela libertação dos italianos aqui presos, Pasquale Vallitutti, Achille Lollo, Luciano Pescina e Cesare Battisti, entre outros.

Foi, junto comigo, o primeiro a denunciar por meio dos meios de comunicação a milícia “ Liga da Justiça”, comandada pelo ex-deputado Natalino e pelo ex- vereador Jerominho que venderam o espaço coletivo da ocupação Olga Benário, em Campo Grande, zona oeste do Rio, para a igreja evangélica “Poço de Jacó”, além da exploração do “gatonet”, gás de cozinha e transporte alternativo que faziam.

Enfrentou o governador Carlos Lacerda na ocupação habitacional Vila Palácio, no Catete. Na verdade, foi o precursor do movimento sem-teto no Rio de Janeiro.

Apesar de ateu, creio tratar-se de pessoa profundamente religiosa, uma vez que dedicou a sua vida aos pobres e ninguém é maior do que aquele que dá a vida por seus irmãos. Ao amar os irmãos está amando a Deus, pois somos sua imagem e semelhança.

Salve, Antônio Louro! Herói antirracista, antifascista e anti-miliciano.


André de Paula é advogado da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST) e membro da Anistia Internacional.

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