A TAREFA DA FIST É PARTICIPAR DA REORGANIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS PARA LUTAR PELO PODER POPULAR
Quais são as causas da crise econômica, política e social do país?
A vida do povo no Brasil nunca foi fácil. Mas do final do ano passado
para cá, a situação se agravou por causa de uma crise pesada que está
afetando o país.
As origens da crise atual se remetem a crise
internacional de 2008 e o afrouxamento fiscal iniciado no final do
último mandato do presidente Lula para emplacar um peso morto chamado
Dilma. Houve sim uma crise de demanda mundial cuja consequências para o
Brasil foram principalmente a apreciação do cambio e a entrada massiva
de investimentos internacionais indiretos para se unir ao esquema dos
banqueiros e outros financistas que aproveitam as altas taxas de juros
necessárias para conter a inflação mas sem incorrer quase nenhum risco. O
fim do ciclo das commodities se deu gradualmente com a desaceleração da
China mas a pauta de exportações não se prejudicou da dinâmica de crise
do dito primeiro mundo pois já era dominada por commodities quase
exclusivamente.
A escolha pseudo-desenvolvimentista da presidenta
eleita não conseguiu elevar o nível de investimentos no Brasil apesar
da queda dos juros por não passar confiança ao empresariado e por causa
dos problemas endêmicos do Brasil de falta de boa educação, saúde,
infraestrutura e por ai vai. Assim, para tentar manter a economia
aquecida optou-se pelo incentivo ao gasto e endividamento da população
brasileira que por um lado fomentou o consumismo e por outro proveu
altas taxas de lucro ao empresariado brasileiro. O resultado a princípio
foi uma euforia consumista dado o populismo barato que não visava a
atender as reais demandas da sociedade eclodindo inclusive nas jornadas
de junho de 2013.
Foi mais uma oportunidade perdida do Brasil
para optar por gastar sim com as prioridades sociais e de
desenvolvimento. Faz-se necessário salientar que a não intervenção
simplesmente largaria o país em crise desde 2008 já a intervenção
desastrada simplesmente empurrou e amplificou a crise para 2015.
Demonstrando cabalmente a necessidade de se distinguir a boa intervenção
da má intervenção e a não-intervenção. Dentre as três opções só uma
está correta e é imprescindível que essa que seja a escolhida fazendo-se
uso de conhecimento técnico-cientifico, acadêmico e político para tal.
Não é fácil mas dentro a qualidade da intervenção há várias gradações e a
intervenção do primeiro governo de Dilma foi simplesmente terrivel.
Além da crise econômica, também existe a crise política. Dilma
conseguiu se reeleger prometendo que não ia mexer nos direitos
trabalhistas e nem cortar os programas sociais. Logo depois da eleição,
ela fez o contrário do que tinha prometido, e mexeu no seguro-desemprego
e nas pensões, congelou os salários dos funcionários públicos, cortou
recursos do Minha Casa Minha Vida, entre outras coisas. O governo podia
fazer com que os ricos pagassem pela crise, por exemplo criando impostos
sobre as grandes fortunas. Mas o PT, mais uma vez, escolheu atacar os
pobres.
A oposição ligada à Globo e ao PSDB aproveitou a queda da
popularidade do governo para tentar voltar ao governo na marra.
Organizaram atos exigindo o impeachment, onde alguns grupos chegaram até
mesmo a defender a volta da ditadura militar. Usaram a Operação Lava
Jato como pretexto para fingir que os únicos corruptos são do PT e para
defender a privatização da Petrobrás. Mas eles não criticam o ajuste do
governo, porque defendem medidas iguais ou até piores, como foi feito no
governo FHC, que eles apoiaram.
Essa crise piora os problemas
sociais que sempre existiram no Brasil, como o desemprego, a falta de
moradia, a violência policial contra os negros, o extermínio dos povos
indígenas e a destruição do meio ambiente. A violência e o preconceito
que as pessoas normalmente tentam esconder ficam muito mais expostas em
momentos de crise como o que estamos vivendo.
O posicionamento da FIST:
Na situação política atual, não apoiamos o bloco do PT, que fala que
está sendo ameaçado de golpe, mas continua tomando várias medidas
antipopulares e se aliando com pragas como Pezão, Eduardo Paes e outras
figuras deploráveis. Também não apoiamos a oposição golpista, que quer
derrubar o governo para tomar medidas piores ainda, como a privatização
da Petrobrás e o fim dos poucos programas sociais do governo.
A
palavra de ordem de ”Basta de Dilma”, levantada por alguns inclusive de
esquerda, parece radical mas, na prática, significa entregar o governo
para a oposição golpista, já que não existe nenhuma alternativa popular
que possa assumir no lugar do PT. Nós não somos só contra o governo
antipopular do PT, mas também contra a oposição golpista, o congresso
corrupto e o judiciário racista e elitista.
Para a FIST, uma nova
sociedade não vai surgir através das eleições, e sim através do Poder
Popular, controlado de baixo para cima pelos movimentos sociais. Essa
não é a "terceira via", e sim a PRIMEIRA VIA para o povo!
Precisamos começar um novo ciclo nos movimentos populares!
A grande maioria dos movimentos sociais cresceu nos últimos trinta anos
vinculados ao PT, e acreditando que a chegada do PT ao governo através
da eleições ia resolver os grandes problemas do país. Isso foi uma
grande ilusão, e por causa dela o MST, a CUT e outros movimentos como o
MTST em menor grau estão passando por uma crise grave.
Então,
precisamos renovar os movimentos onde isso for possível, e criar novos
movimentos onde for necessário. É preciso começar um novo ciclo de
organização social e política do povo! Nesse novo ciclo, precisamos nos
organizar em torno de propostas claras, e não de partidos ou líderes.
Os movimentos precisam ter uma visão geral da sociedade, incluindo a
educação, a saúde e a cultura. E precisam ter meios de comunicação
próprios (jornais, rádios, presença na internet) para luta contra a
mídia da classe dominante e as ideias que ela divulga, contrárias à luta
popular, racistas e machistas. Sem isso, qualquer revolta popular vai
ser controlada e desviada dos seus objetivos.
Na luta por uma
alternativa ao bloco do PT e à oposição golpista, a FIST está
participando da Plenária dos Trabalhadores. Infelizmente, a Plenária é
controlada por alguns partidos que têm uma visão restrita à luta
sindical, e menosprezam os movimentos populares. Então, estamos lá
enquanto achamos que é possível nos contrapor a essa visão deles, mas
sem grandes expectativas.
Junto com o trabalho de base permanente, as principais bandeiras da FIST na situação atual são essas:
- Contra o ajuste antipopular do governo! Fora os ministros Joaquim
Levy (Fazenda), Kátia Abreu (Agricultura) e Gilberto Kassab (Cidades)!
- Liberdade para Tom e contra a criminalização da FIST! Liberdade para Rafael Braga!
- Contra os leilões do Petróleo! Por uma Petrobrás 100% estatal e controlada pelos trabalhadores!
- Ocupar! Resistir! Lutar para não sair!
- Construir o Poder Popular!